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» » » » Dust Devils - Dicas para Narradores do Oeste Selvagem
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Continuando a nossa série de post’s relacionados ao mais novo jogo da RedBox Editora – Dust Devils, fui questionado (novamente) o porque de estar utilizando a nomenclatura Western ao invés de “Velho Oeste”, bem essa nomenclatura Western esta diretamente ligado ao gênero de cinema e literatura norte-americana que ficou bastante popular no Brasil com as exibições de “filmes de faroeste” e de  “filmes de cowboy” e nas expressões mais juvenis é conhecido como “filmes de Bang-Bang”. Neste post repasso algumas dicas de narração que venho utilizando em minhas narrativas de Dust Devils.

O gênero de Western tem algumas características bem marcantes que devem se exploradas por narradores durante as suas crônicas de Dust Devils, características essas que são o charme do cenário.

O cenário Western é em sua essência o Oeste dos Estados Unidos, tendo a sua demarcação a partir do Rio Mississippi, onde podemos datar o seu período histórico alguns anos antes da Guerra Civil Americana até ao virado do século XX. O Narrador pode e deve aproveitar bastante como background a Guerra Civil Americana, pois era comum na época muitos soldados fugirem da linha de combate por não suportarem o terror da guerra. É possível também trabalhar temas que envolvam a ocupação de terras; a construção de ferrovias que sempre acabavam criando vários embates com os índios; estabelecimento de grandes propriedades dedicadas à criação de gado; lutas com os índios e a sua segregação; corridas ao ouro na Califórnia; da demanda das terras prometidas (como o estabelecimento do Estado do Utah, pelos mórmons) e da guerra no Texas.

De início, por falta de referências para alguns jogadores, teremos muitos personagens ao estilo do Cowboy solitário, que por sinal é o estereótipos mais apresentados em filmes do gênero Western, mais podemos enriquecer esse personagem ao acrescentar alguns conceitos como: criadores de gado, pistoleiros, desbravadores de terras, jogador de pôquer profissional, xerifes, garimpeiros ou, simplesmente, vadios que vagueiam de cidade para cidade, possuindo apenas a roupa que traz no corpo, um revólver e um cavalo, deve-se salientar que quanto mais refinado o histórico do personagem maior será o poder de ação do “The Devil” um fator importantíssimo para a realização de cenas memoráveis onde o personagem confronta a sua contraparte.

As cidades em sua grande maioria são compostas, de apenas uma avenida principal onde se destacam o Saloon (local de jogatina, álcool e, eventualmente, prostituição) onde boa parte das narrativas terá o seu inicio, um armazém de venda de alimentos e rações animais, um Barbeiro (geralmente também é o dentista) e a cadeia, onde reside o xerife. A tecnologia da época se resume ao telégrafo (constantemente tem seus postes vandalizado por grupos de bandidos ou pelos índios), a locomotiva, e a imprensa, que deveriam aparecer como elementos que prenunciam a chegada da civilização e da ordem, e simbolizando a transitoriedade do estilo de vida quase selvagem da fronteira ocidental.

O Narrador pode desenvolver aos poucos a noção de perigo constante do “Oeste Selvagem”, ao utilizar perseguições e confrontos físicos dramáticos – um grupo de forasteiros invade e assalta o banco local, o xerife procurando por valorosos homens que possam proteger uma diligência entre duas cidades, a cidade esta assustada com o ataque de canibais e não devemos esquecer o famoso duelo, são as técnicas mais utilizadas para ressaltar o ingrediente básico da ideia de perigo iminente, numa sociedade onde os riscos se sucedem diariamente e onde a violência parece ser a única forma de garantir a segurança.

Em minhas sessões de Dust Devils a violência sempre esta presente, pois o gênero Western é impiedoso, o desenvolvimento do background é de extrema importância, pois o narrador deve aproveitar cada brecha disponível no histórico do personagem. Por mais que o personagem tente apagar o seu passado tempestuoso ele sempre estará presente em todas as suas futuras ações, esse detalhe trará memoráveis momentos de interpretação. Imaginem um valoroso homem que assume o lugar do xerife na cidade, mais tem em seu passado um momento impiedoso durante a corrida do ouro, onde exterminou muitos por uma simples pepita, uma prostituta que carrega em seu ventre o filho de um grande fazendeiro e tem que fugir da região para evitar que seja morta por seu antigo amante.

A movimentação entre as cidades será constante os vaqueiros atravessam longas extensões de território com o gado; as diligências cortam as estradas ermas, parando em algumas parcas estalagens; as caravanas percorrem as planícies inóspitas e, às vezes, há um forte a marcar a presença militar dos colonizadores, as viagens estão entre as ações mais perigosas em Dust Devils, pois atravessar áreas indígenas, regiões de desfiladeiros onde bandos esperam para assaltar, animais selvagens espreitando em cada planície podem render momentos tensos, que deixará qualquer jogador como receio de sair da cidade.

Outro elemento frequente abordado é o conflito entre os colonizadores brancos e os povos indígenas. Os povos indígenas seguindo suas tradições protegem sua terra com fervorosos valores, e essa atitude fora responsável por alguns massacres, quando indígenas armados de arco e flecha combatiam exércitos armados de rifles e metralhadoras. A presença da Igreja fora responsável por ajudar na “transformação” dos povos indígenas selvagens em servos valorosos de mão de obra barata e a diminuição dos embates durantes as viagens. É valido o narrador utilizar em sua crônica algumas lendas indígenas, pois alguns animais como o corvo ou o urso tinham significados tão importantes que até os colonizadores passavam a respeitar tais crenças.

Recentemente a pedido de um dos meus jogadores inclui nas minhas sessões de Dust Devils a imigração chinesa. Muitos fazendeiros e o próprio Governo Norte Americano passaram a utilizar a mão de obra chinesa por dois motivos básicos – por ter um baixo custo e os chineses não negarem trabalho, realizavam trabalhos pesados e logo foram colocados para trabalhar nas ferrovias. Esse plot é fantástico para o Narrador trabalhar, imagine o motivo que faz um personagem de origem chinesa sair do seu país para trabalhar do outro lado do mundo com atividades pesadas, o choque de cultura que o personagem esta passando, tudo isso pode e deve ser explorado enriquecendo as sessões de Dust Devils.  


E por último e não menos importante a utilização de músicas durante as sessões de Dust Devils, geralmente tenho utilizado a música nos momentos em que estamos nos reunindo e conversando sobre os acontecimentos da sessão passada, ou seja, a música tem o objetivo de trazer os jogadores para o universo de Dust Devils, Narradores experimentem e se surpreendam como os seus jogadores logo entram no clima do jogo e ficam bem mais centrados. Pra quem não conhece alguns cantores country eu recomendo utilizar as músicas do grupo Spaghetti Western Orchestra, uma mistura de trilhas sonoras de filmes Western famosos com a interpretação de cenas memoráveis.

Espero que possam tirar proveito destas dicas e aproveitem muito Dust Devils: Histórias do Velho Oeste...confiram a capa brasileira que recebeu alguns toques do Dan Ramos.




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Autor: Jan Piertezoon
A Mente maléfica por trás da criação do Blog Filhos da Gehenna, (ir)responsável pela narração da atual crônica do blog apresentado no podcast.  Aficcionado por jogos de interpretação, onde o sistema preferido para as minhas crônicas é o Storyteller & Storytelling. Um colecionador de livros de RPG e um grande consumidor de podcast. RPG Mainstream ou Indie não importa, jogo todos!!!





Autor Jan Piertezoon

A Mente maléfica por trás da criação do Blog Filhos da Gehenna, (ir)responsável pela narração da atual crônica do blog apresentado no podcast. Aficcionado por jogos de interpretação, onde o sistema preferido para as minhas crônicas é o Storyteller e Storytelling. Um colecionador de livros de RPG e um grande consumidor de podcast. RPG Mainstream ou Indie não importa, jogo todos!!!
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