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Depois de uma semana lendo Espírito Século e realizando várias pesquisas por referências ao gênero pulp, posso expor as minhas idéias mais objetivamente... Lembrando que essa resenha está sendo elaborada por um fã do gênero pulp.

Espírito do Século é um RPG, baseado em histórias pulp ambientadas principalmente durante o período da Grande Guerra, ou seja, a 1ª Guerra Mundial. O gênero pulp foi uma dos principais meios de entretenimento de 1930 à 1950, eram revistas lançadas a um baixo custo tendo sempre historias exóticas e aventurescas, com Heróis imbatíveis, mocinhas em perigo, vilões grotescos em locais estranhos. Durante esse período surgiram grandes autores H.P. Lovecraft (Call of Chutullu), Edgar Rice Burroughs (Princess of Mars), Robert Ervin Howard (Conan). Personagens como “O Sombra”, “Doc Savage”, “Flash Gordon”, “Buck Rogers” e demais heróis foram responsáveis por entreter muitos jovens e adultos da época, e esses mesmos personagens foram e ainda são referências para muitos autores de quadrinhos da atualidade.

O cineasta George Lucas, bebeu muito dessa fonte quando nos apresentou principalmente Indiana Jones em Os Caçadores da Arca Perdida, nesse filme temos toda a essência do gênero pulp.

Tenha em mente que o clima da narrativa do RPG Espírito do Século, premia personagens heroicos, virtuosos sem apresentar dualidades em suas personalidades. Nas historias dos autores citados iremos encontrar personagens que apresentam em certos momentos uma agressividade demasiada, com cenas de tiroteios e sequencias sanguinolentas, Conan é um exemplo de muitos combates sanguinolentos, mais leve em consideração que o resultado sempre será, um herói lutando por ideais.
Seus jogadores iram se deleitar com o clima pulp de Espírito do Século, onde o sentimento de ação iminente estará presente em muitas cenas, pois um vilão sempre estará pronto para dominar o mundo.

Quem não conhece o gênero pulp, também tem seu espaço no Espírito do Século, pois os autores do livro se preocuparam em apresentar aos seus leitores todo esse clima que permeia as historias pulp, pois logo de início temos um capitulo dedicado para apresentar todo o cenário na qual o Espírito do Século esta centrado.

Apresentação do Livro Espírito do Século.
A edição nacional do livro Espírito do Século, lançado em meados do mês de maio pala Editora Retropunk é indubitavelmente melhor que a edição da Evil Hat. No formato A5, composto por uma capa dura, com cerca de 360 páginas, em papel couché e interior com varias ilustrações em preto e branco. 

As ilustrações, o principal quesito a qual quero chamar atenção, pois todas as ilustrações são completamente nacionais, desenhadas de forma competente pela artista Germana Viana, que reproduziu, de forma maravilhosa, o clima pulp. As ilustrações desenvolvidas por Germana Viana, tem uma aparência mais bela, os traços limpos e fluentes, a ilustração da capa é magnífica, me remete aos traços das edições da Amazing Stories principalmente do ano de 1936. 

De nada adiantaria belas ilustrações se o texto não tivesse o seu valor, mais Espírito do Século consegue fugir de erros típicos de alguns RPG Indies e nos apresenta um texto com inúmeras informações necessárias para as mais variadas sessões de RPG, tanto para Narradores e Jogadores veteranos ou novatos que querem mergulhar nas aventuras pulp.

Os autores do Espírito do Século elaboraram um texto onde explicam o que é um RPG e ao mesmo tempo apresentam ao leitor/narrador/jogador o mundo pulp, no decorrer do livro é possível encontrar várias referências aos personagens famosos da década de 30. Todas as informações necessárias estão presentes no livro, até há espaço para apresentar personagens prontas, ou seja, terminou de ler, pega as fichas dos personagens prontos e vai jogar.

Criando seu personagem pulp.
Espírito do Século apresenta várias opções de conceitos pulp para os jogadores criarem seus personagens, saliento que criação do personagem é uma verdadeira sessão de jogo. Primeiramente temos que escolher um nome de impacto para o personagem, algo do tipo Max Power, Doc. Pulse, Shepart. A ambientação básica do Espírito do Século é logo após a 1ª Guerra Mundial, dessa forma, os jogadores são estimulados a detalharem o seu histórico durante a guerra e a criarem um prelúdio em que todos os personagens dos jogadores se encontraram e como desenvolveram seus nêmeses.

Esse prelúdio é fundamental para o desenvolvimento dos Aspectos, Perícias e Vantagens de seu personagem.

Do prelúdio iremos extrair os Aspectos dos personagens, a característica Aspecto esta ligada a uma citação que irá determinar a característica específica, ou seja, escrevo a citação “Aprendiz da técnica Punhos Selvagens”, fazendo referência ao Aspecto golpes rápidos ou poderosos. O Jogador em conjunto com o Narrador irá desenvolver/criar 10 Aspectos para o personagem. Basicamente esses Aspectos podem ser utilizados tanto pelo Narrador como pelo Jogador em determinados momentos da narrativa para acrescentar uma bonificação ou criar uma cena dramática onde o personagem acaba se envolvendo em uma situação arriscada. 

Com os Aspectos definidos vamos compor nosso Herói com as Perícias, no total Espírito do Século nos apresenta 28 Perícias (Físicas, Mentais, Sociais). O Jogador irá escolher as graduações paras as Perícias seguindo uma espécie de tabela onde teremos: 
Uma Perícia Excepcional (Bonificação +5);
Duas Perícias Espetaculares (Bonificação +4);
Três Perícias Ótimas (Bonificação +3);
Quatro Perícias Boas (Bonificação +2);
Cinco Perícias Razoáveis (Bonificação +1).

Essas bonificações irão influenciar nos resultados das rolagens de dados.
Encerrando a criação do personagem o Jogador acrescenta as Façanhas, uma espécie de sistema de Vantagens. As Façanhas irão fornecer uma bonificação às jogadas de dado e/ou fornecer uma qualidade (lembra muito o sistema de Qualidade e Defeitos do WOD).

Sistema FATE/FUDGE
O sistema adotado no Espírito do Século é o Sistema FATE, uma variação do Sistema FUDGE, bastante elogiado por sua praticidade.
Basicamente temos as dificuldades: Lendário (+8), Épico (+7), Fantástico (+6), Excepcional (+5), Espetacular (+4), Ótimo (+3), Bom (+2), Razoável (+1), Fraco (0), Ruim (-1) e Péssimo (-2).
Geralmente o Jogador só irá rolar os dados se suas Perícias não possuírem valores iguais ou superiores as dificuldades. O Jogador irá rolar 4 dados FUDGE, é um d6 onde seus valores foram substituídos por +, -, 0. Se você não conseguir adquirir um dado FUDGE pode utilizar a seguinte adaptação:
1 e 2 subtraem ( - )
3 e 4  ( 0 )
5 e 6 acrescentam ( + )

Dessa forma o a Perícia determinada irá transitar pela tabela de classificação. Lembrando que esses valores podem ser alterados por Aspectos, Façanhas e os Pontos de Destino.
Pontos de Destino.

Cada jogador tem um número determinado de Pontos de Destino, normalmente 10. Os pontos podem ser usados para obter bonificações durante a sua jogatina, mais a utilização realmente interessante é quando o jogador gasta um Ponto de Destino para modificar na Narração de uma determinada cena, normalmente o beneficiando de alguma forma. Uma explicação plausível para o nome do sistema FATE (Destino, em uma tradução literal). Com essa mecânica, inúmeras cenas empolgantes com feitos magistrais dos personagens serão criadas. Os Pontos de Destino possuem muitas outras funções principalmente quando em conjunto com os Aspectos do personagem e de NPC’s, mais basicamente essa é a idéia da mecânica.

Após alguns capítulos explicando toda a mecânica do jogo, Espírito do Século nos apresenta um capitulo dedicado exclusivamente a iniciar um leitor no universo do RPG, fator que não esta presente em muitos RPG Indies. O capítulo é dedicado a Narradores experientes e novatos, pois demonstram de forma prática como manter um ritmo de jogo no estilo pulp.

Para auxiliar o Narrador, os autores sabiamente, incluíram uma ambientação em conjunto com aventura pronta básica, mostrando a estrutura de uma aventura pulp, incluindo fichas de Heróis e Vilões.

Nos apêndices do Espírito do Século, existe uma relação de obras com clima pulp para consulta, incluindo HQs como “Tom Strong”, “League of Extraordinary Gentlemen” (ambos de Alan Moore) e “Planetary” (de Warren Ellis).

Espírito do Século é um RPG de uma proposta interessante, desde a elaboração de personagens ao desenvolvimento das cenas, o que me permitir expressar nesse exato momento, é forte candidato a ser um dos melhores RPG já lançados no cenário nacional. Até++

Confira mais informações do Espírito do Século no Site da Retropunk, na Revista Rolerpunker, na Fanpage e no Twitter.


Nos siga no Twitter @FilhosdaGehenna

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Autor: Jan Piertezoon
A Mente maléfica por trás da criação do Blog Filhos da Gehenna, (ir)responsável pela narração da atual crônica do blog apresentado no podcast.  Aficcionado por jogos de interpretação, onde o sistema preferido para as minhas crônicas é o Storyteller & Storytelling. Um colecionador de livros de RPG e um grande consumidor de podcast. RPG Mainstream ou Indie não importa, jogo todos!!!




Autor Jan Piertezoon

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  1. Puxa, procurando há pouco por uma imagem, encontrei sua resenha. Obrigada pelos elogios, cara! abs. Germana

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